Eu, sempre assim. Sempre tentando esculpir novas esperanças em minha alma, mas estou em meio a um gigantesco labirinto de altas muralhas. Estou a tanto tempo presa e perdida nestas paredes de pedra que começo a me sentir parte delas. Talvez seja exagero, mas estou me acortumando a ser esta criatura imóvel e silênciosa, assim como as paredes que me cercam. Não posso deixar de me surpreender quando entro em contato com seres humanos vivos e reais, ainda me assusto. Sinto que estou me tornando um bloco de mármore com formas, mas sem nenhum conteúdo. Tenho medo deste lugar, é sempre tão escuro, sempre frio demais. Nem se quer, presa tanto tempo na escuridão me lembro da bela e pálida Lua, apenas sonho com sua vívida luz em minha pele, mas é só um sonho, não posso me recordar ao menos dela. Já não sinto nada palpitar em meu peito, acho que em lugar de meu, antes vívido coração, exista hoje apenas um pedaço de vidro retorcido, apenas refletindo imagens desta existência vázia em que me transformei, apenas reflexos turvos e dissonantes. Tantas vezes eu havia sonhado com este lugar, sonhado com esta vida, com esta morte, sempre acreditei que meu fim viria a mim de outra maneira, mas o fantasma que nos guia a outra margem já se mostra igualitário e cruel comigo. Ao menos nesta escuridão posso ser eu mesma, não sou obrigada a vestir uma máscara e me tornar hipócrita como estes demônios, chamados seres humanos. É tudo tão fúnebre neste labirinto, esmaeco a cada dia, estou me tornando uma estátua, gélida e fria. Estou me tornando parte destes amplos e vázios corredores, é como se uma nuvem mortal pairasse sobre mim e este funesto labirinto. É isto que sou, sempre assim, apenas uma estátua de mármore, abandonada e inerte. Autor: Letícia Rodrigues - Postado por: por Göthica às 02:00 PM [ ]
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