Apenas uma estrela solitária e adorada Antes uma estrela solitária e adorada. Hoje vista apenas como uma estrela de puro absinto, apenas ser tocada. Olhos que em outros tempos viam o mundo de maneira tímida e mágica. Hoje vistos como chamas que ardem em seducão e feitico. Beijos que guardei para um inócuo principe em meus contos-de-fadas secretos. Hoje apenas lábios molhados, pura tentacão a infiéis. Antes eu era apenas uma jovem sonhadora que sonhava com o Éden, ou qualquer parecido paraíso. Hoje apenas a paixão, a “intensa inocência” e o pecado que um jovem anseia cometer. Hoje, apenas sacrificada como oferenda a um deus caído, olhos tristes e vázios, perguntas sem respostas, palavras que se perdem nas curvas do antigo sonho desfeito e da dura realidade. Tudo o que eu não queria era ser o mistério que um jovem desejasse desvendar; segredos da noite que se escondem em meu interior e que querem arrancar de mim; nestas horas vejo que era um oceano de suaves ondas e que me tornei tempestuosa e rebelde, como o mar remexido por poderosos tufões; apenas anseio sutis brisas para me refrescar, uma luz para que me sinta quente como num sonho novamente, quero andar vagarosa e sentir o toque suave do cair de uma folha no amarelo outono. Mas meu mundo agora é apenas frio inverno. Frio como geadas de escárnio, resfriando e revelando todos os meus segredos guardados. É como se ao ver a realidade, agora todos os meu inimigos tivessem a chave para abrir minha mente, mas não para enxergar meu coracão não conseguem diferir em meus olhos o que se passa comigo. Sou vista da maneira que mais repudiei: Sedutora e hipnotizante como uma serpente mágica, como os bosques místicos das ninfas; e eu, que apenas gostaria de ser vista como uma densa e escura floresta morta, cheia de perigos que não despertassem a curiosidade alheia. Eu agora invejo a mansidão reinante no lúgubre cemitério; na pureza das frases de amor inscritas nas losas frias e na suave lira que soa no vento. Eu só gostaria de viver num reino onde a paz residisse, sinto saudades de algo assim; além das leis e limites quero meu reino encontrar e dormir, apenas repousar em perfumadas flores, ser insensível ao meu redor e ser posta numa suave redoma de cristal onde pudesse ser novamente uma estrela solitária e adorada, sonnhando com o paraíso no qual viveria imersa e silenciosa, como pombos sonolentos. - Postado por: por Göthica às 08:39 PM [ ]
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