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À Sete Palmos

 

 

 

 

            Por que me perseguem?

            Por que estão atas de mim?

            Por que não consigo divisar minhas passadas das delas?

            Estas malditas não param de me atormentar.

            Por onde quer que eu vá, para onde quer que eu fuja, jamais consigo me esconder delas.

            Não param de tomar minha mente.

            Não consigo me distanciar delas.

Às vezes acho que estou enlouquecendo.

Para onde quer que eu vá, para onde quer que eu olhe só consigo vê-las, sempre; parece que elas querem me destruir, é tão difícil pra mim, este fardo é tão pesado, às vezes acho que vou perecer, por vezes acredito que não vou conseguir vencê-las. Já faz tanto tempo que estou perdida; já faz tanto que anseio pela salvação.

Esta tão escuro aqui, tão frio, nem mesmo posso ouvir os sons que reinam neste lugar, pois nenhum ser conseguiu sobreviver a estas provações, ainda não sei como consigo.

Dói tanto aqui dentro; nem sei se ainda tenho coração, é tão pesado para carregar sozinha, tão duro.

Em meu peito agora nada mais resta se não uma pesada e esmaecida pedra de vidro retorcida que só faz refletir minha inútil existência: Turva e sem formas definidas.

Nunca pensei que aqui seria onde eu estaria.

Olho ao meu redor e vejo todos felizes, todos alegres seguindo suas próprias vidas, dando rumo as suas respectivas existências e eu aqui, presa neste castelo de cartas marcadas, neste labirinto com suas funestas paredes de pedras, hermeticamente fechadas.

Sempre que acredito que estou finalmente encontrando a saída algo acontece, novas parelhas de paredes se formam a minha frente, e nunca sei se me levarão a saída, ou se me afundarão ainda mais nas profundezas deste abismo sem fim.

Eu gostaria tanto de ser normal como eles, gostaria tanto de me alegrar com suas hipocrisias insanas, mas o fio que nos separa os mundos é tão espesso que não consigo rompê-lo. Estou tão cansada de ficar sozinha, tão cansada de sempre cair.

Tão enjoada do sabor salgado e acre de minas lágrimas.

Tão exausta de olhar para o lado na esperança de ver um rosto amigo e não ver ninguém, ser nenhum para me amparar.

Olho para elas à minha frente e só às vejo me provocar, estão tomando formas hediondas e querem me agarrar, me fazer sofre mais do que já sofro; como se isto fosse possível.

Estou envelhecendo rápido demais, já perdi o viço, e aos poucos estou perdendo minha juventude, sem amor e nem carinho.

Tudo o que eu queria agora era um pouco de descanso, mas nem isso eu posso fazer, existem demônios à minha volta que não me deixam em paz, eles fazem tanto barulho, são

- Postado por: por Göthica às 05:17 PM
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gemidos incessantes. Neste lugar nem mesmo as aves mais temerosas ousam sobrevoar, estou num pântano pegajoso e fétido, sinto que estou afundando em sua podridão e que vou, a qualquer instante, sufocar. Meu7 corpo todo dói, estou tão debilitada de tanto lutar, em vão.

Ao longe, consigo diferir uma doce e triste melodia de um lúgubre violino solo. Talvez seja este um breve recompensa que preceda a morte em meu encalço.

Talvez seja mesmo melhor, talvez seja mesmo este o meu tão aguardado final.

Estou em leito, confortável enfim, talvez eu tenha sido recompensada depois de tanto tempo de dor, ao meu lado uma adaga, bela como jamais se viu, parece que ela esta me aguardando, ansiosa, parece que sempre esteve ali, apenas esperando por mim, é tão perfeita, formas tão distintas, lâminas tão brilhantes. Enfim luz em meio a esta ruidosa escuridão.

Não dói mais, me sinto tão leve, tão solta; já não sinto mais o peso daquela pedra de vidro em meu peito, já não sinto mais o peso do mundo em minhas costas, posso finalmente caminhar suavemente, côo desejei tão ardentemente.

Posso ver estas paredes se afastando, nada mais de fragilidades, o pântano não existe mais.

Estou me vendo lá em baixo, somente um corpo ensangüentado, um corpo atormentado por tantas provações, caído, como sempre esteve, sozinho, como sempre se manteve; será que aguarda alguma coisa? Será que esta agora em paz?

Sou agora apenas uma alma longe de seu corpo. Lá embaixo um ser, preste a se decompor.

Fecho os olhos para agradecer pela enfim liberdade.

Abro e olho ao meu redor, deitada em suaves almofadas repouso com a paz que jamais pude sentir antes, mas tenho que levantar, desfrutar de tanta concórdia. Estou presa! Bato na parede acima de mim, não consigo me por em pé, estou trancada em um lugar pequeno e estreito, me mantenho imóvel, quase não posso me mexer, o ar esta acabando, estou sufocando, acima de mim outra vez suporto um enorme e eterno peso, desta vez não de uma pedra de vidro nem do mundo, suporto pesados sete palmos de terra e além, uma lápide, e nela, marcado eternamente com o sangue que um dia foi meu, a inscrição:

“ Rosa Negra em meio ao jardim esfacelado”.

À esta que foi apenas uma Rosa sob a geada.”

E acima, gravado perpetuamente, meu nome...

 

 Mørtíciä †



- Postado por: por Göthica às 05:14 PM
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*Esse layout é uma criação exclusiva de Bruno Maximus*