"Com o tempo você vai percebendo que para ser feliz com outra pessoa, - Postado por: por Göthica às 08:41 PM [ ]
"Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia noite. Charles Chaplin! - Postado por: por Göthica às 08:35 PM [ ]
Quando me olhava no espelho às vezes me assustava comigo mesma. As fisionomias poucas vezes se mostram tão sombrias, mas as cavidades escuras de meus olhos atestavam melhor do que qualquer viva pupila a gravidade do que acontecia em minha alma. Sozinha conversava com meus fantasmas, mas minhas palavras eram dispersas, apresentavam uma semelhança estranha com o negrume de maus olhos, com aquele vazio, às vezes eu mesma não me compreendia... Mas um jovem ansiou por minha mudança, comoveu meu coração e se mostrou doce e galante. Me lembro de ter-me dito certa vez, que me via como um coração frio, que em contemplava como a quem contempla um castelo de vidro num ambiente gelado, simplesmente inalcansável, ainda me recordo de tuas palavras, me assustaram de imediato, mas logo entendi o porque delas. Percebi que para ele minhas palavras eram distantes, que evocavam uma atmosfera sombria, que ao meu redor e em minha face reinavam um frio que não cessava de se propagar, mais e mais a cada noite. À ele eu estava disposta a me desvencilhar de toda àquela frieza; aos poucos, minha face foi deixando de parecer imobilizada, como que chegada do necrotério; os olhos foram os primeiros a perderem aquele negrume, passaram a reluzir como brasa sob o vento. Só então compreendi, só depois de contemplá-lo é que entendi por que era tão solitária, tão triste, o porque de eu me sentir tão vazia. Entendi que era a parte de minha alma faltava; compreendi que era porque estava incompleta; somente depois de comtemplá-lo é que soube que ele, aquele homem era minha essência, hoje sei que ele era a parte que faltava de minha alma. Aquela noite, sempre, eternamente em minha mente, noite fria de outono quando uma rosa e uma composição se fizeram as armas daquele cavalheiro, suas eternas aramas de "guerra". E a noite avançando, estendendo seu manto negro sobre nós e nossas almas quando sozinhos e acompanhados, quando um beijo aconteceu, sempre, eternamente a lembrança de tão inesquecível noite que me tirou de meu calvário apenas por acreditar naquele anjo de barrocos cachos e olhos febris. Ainda acredito; naquela noite eu não estive mais pálida, já não me sentia um fantasma, transparente e vaga; aquele beijo, aquela rosa e aquela composição me preencheram, á não estava mais fria e nenhum grito se prendia à minha garganta, eu finalmente pude me mexer. De repente, quando abri os olhos me deparei com uma nova realidade, uma existência mais doce e fácil, as arvores se abriram e eu pude veras estrelas que nos guiavam, pude finalmente respirar e sentir o suave perfume daquele rapaz, o que eu jamais havia sentido antes, tão belo e tão frágil, tive medo de toca-lo, tive medo de quebrá-lo, tão delicado meu eterno amor, tão sensível, uma existência tão doce numa realidade tão cruel. Meu poeta, sempre compositor, para sempre imersa nesta harmoniosa existência, sempre dele, sempre na noite, sempre vivendo em meio àquelas rimas, ou melhor, morrendo ao teu lado o pouquinho que se morre todos os dias, sempre morrendo e amando-o, sempre amada e imersa nele, sempre. - Postado por: por Göthica às 07:36 PM [ ]
Amado poeta - Postado por: por Göthica às 02:17 PM [ ] Eu, sempre assim. Sempre tentando esculpir novas esperanças em minha alma, mas estou em meio a um gigantesco labirinto de altas muralhas. Estou a tanto tempo presa e perdida nestas paredes de pedra que começo a me sentir parte delas. Talvez seja exagero, mas estou me acortumando a ser esta criatura imóvel e silênciosa, assim como as paredes que me cercam. Não posso deixar de me surpreender quando entro em contato com seres humanos vivos e reais, ainda me assusto. Sinto que estou me tornando um bloco de mármore com formas, mas sem nenhum conteúdo. Tenho medo deste lugar, é sempre tão escuro, sempre frio demais. Nem se quer, presa tanto tempo na escuridão me lembro da bela e pálida Lua, apenas sonho com sua vívida luz em minha pele, mas é só um sonho, não posso me recordar ao menos dela. Já não sinto nada palpitar em meu peito, acho que em lugar de meu, antes vívido coração, exista hoje apenas um pedaço de vidro retorcido, apenas refletindo imagens desta existência vázia em que me transformei, apenas reflexos turvos e dissonantes. Tantas vezes eu havia sonhado com este lugar, sonhado com esta vida, com esta morte, sempre acreditei que meu fim viria a mim de outra maneira, mas o fantasma que nos guia a outra margem já se mostra igualitário e cruel comigo. Ao menos nesta escuridão posso ser eu mesma, não sou obrigada a vestir uma máscara e me tornar hipócrita como estes demônios, chamados seres humanos. É tudo tão fúnebre neste labirinto, esmaeco a cada dia, estou me tornando uma estátua, gélida e fria. Estou me tornando parte destes amplos e vázios corredores, é como se uma nuvem mortal pairasse sobre mim e este funesto labirinto. É isto que sou, sempre assim, apenas uma estátua de mármore, abandonada e inerte. Autor: Letícia Rodrigues - Postado por: por Göthica às 02:00 PM [ ]
Apenas uma estrela solitária e adorada Antes uma estrela solitária e adorada. Hoje vista apenas como uma estrela de puro absinto, apenas ser tocada. Olhos que em outros tempos viam o mundo de maneira tímida e mágica. Hoje vistos como chamas que ardem em seducão e feitico. Beijos que guardei para um inócuo principe em meus contos-de-fadas secretos. Hoje apenas lábios molhados, pura tentacão a infiéis. Antes eu era apenas uma jovem sonhadora que sonhava com o Éden, ou qualquer parecido paraíso. Hoje apenas a paixão, a “intensa inocência” e o pecado que um jovem anseia cometer. Hoje, apenas sacrificada como oferenda a um deus caído, olhos tristes e vázios, perguntas sem respostas, palavras que se perdem nas curvas do antigo sonho desfeito e da dura realidade. Tudo o que eu não queria era ser o mistério que um jovem desejasse desvendar; segredos da noite que se escondem em meu interior e que querem arrancar de mim; nestas horas vejo que era um oceano de suaves ondas e que me tornei tempestuosa e rebelde, como o mar remexido por poderosos tufões; apenas anseio sutis brisas para me refrescar, uma luz para que me sinta quente como num sonho novamente, quero andar vagarosa e sentir o toque suave do cair de uma folha no amarelo outono. Mas meu mundo agora é apenas frio inverno. Frio como geadas de escárnio, resfriando e revelando todos os meus segredos guardados. É como se ao ver a realidade, agora todos os meu inimigos tivessem a chave para abrir minha mente, mas não para enxergar meu coracão não conseguem diferir em meus olhos o que se passa comigo. Sou vista da maneira que mais repudiei: Sedutora e hipnotizante como uma serpente mágica, como os bosques místicos das ninfas; e eu, que apenas gostaria de ser vista como uma densa e escura floresta morta, cheia de perigos que não despertassem a curiosidade alheia. Eu agora invejo a mansidão reinante no lúgubre cemitério; na pureza das frases de amor inscritas nas losas frias e na suave lira que soa no vento. Eu só gostaria de viver num reino onde a paz residisse, sinto saudades de algo assim; além das leis e limites quero meu reino encontrar e dormir, apenas repousar em perfumadas flores, ser insensível ao meu redor e ser posta numa suave redoma de cristal onde pudesse ser novamente uma estrela solitária e adorada, sonnhando com o paraíso no qual viveria imersa e silenciosa, como pombos sonolentos. - Postado por: por Göthica às 08:39 PM [ ] Por esses dias... “Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão Sem querer eles me deram as chaves que abrem esta prisão” O que era raro virou comum. Pude ver a vida como ela realmente é. Descobri que nossos heróis nasceram para perder. Que nem tudo é como a realeza pensa ser. Que há gente triste e oprimida. Que não existe mar de rosas. E tudo ficou tão claro, um intervalo na escuridão. Não tenho mais certeza de um amanhã depois do hoje. Será que existe mesmo um paraíso, ou não passa de alegria para tolos? A vida como ela é: Nua e crua, salgada e acre. Não há mais uma visão limitada da realidade. Somos apenas o que nos deixam ser. Não entendemos mais do que nos é permitido. “Não é mais como era antigamente”. Que ninguém tem a cura para este câncer. Que a morte sem glorias é certa. Que a esperança, que deveria ser a última a morrer já esta enterrada. Que nada mais podemos fazer que estregarmo-nos ao ócio e sepultarmo-nos, uns aos outros na ignorância. Que mesmo nos mais belos bosques existem ninfas fingidas. Que desde aquele dia é tudo monocromático, eles nos têm pervertido as cores. Tiraram nossa inocência a punhos de ferro. Não há mais nada agora alem dos versos que acabo de escrever. Não existe futuro que não seja o pouco que me resta esquadrinhando as raras linhas que me sobram neste papel maltratado e o fim desta tragédia. Que é assim que acaba todo e qualquer conto de fadas, não há final feliz. Que há somente um céu escuro e cinza no horizonte. Apenas um céu de dor... - Postado por: por Göthica às 08:27 PM [ ] "...o silêncio da noite é nosso refugio, somos filhos da escuridão somos crianças perdidas, tristes, melancólicas. O ar árido da noite nos cerca, já não sentimos mais nada, somente medo. mais medo do que? medo de nós mesmo? ou medo de tentar ser o que na realidade abominamos??..." Deixo a vocês um soneto de Florbela Espanca Tortura - Postado por: por Göthica às 09:07 PM [ ]
"Se meu sorriso mostrasse o que tenho em minha alma,ao me ver sorrir, certamente todos chorariam, pois essa minha obscuridão causa dor e sofrimento às almas mais humanas." (Tilo Wolff - Lacrimosa)
† Mørtíciä † - Postado por: por Göthica às 08:15 PM [ ] Tudo o que se foi e apenas o meu desejo. Apenas caminhando pelo tempo; só vejo outra coisa abandonada, outro beco sem saída, como se as paredes se fechassem sobre mim. Ver que todos os nossos heróis nasceram para perder. Sei que algumas pessoas à minha volta também sentem isso. Inferno... Mas não podemos culpar nem a nós mesmos. Os tempos são difíceis e as pessoas procuram falsas diversões para que possam acreditar que ainda se vive, para que possam sentir a adrenalina em seus corpos, procuram por qualquer contentamento, qualquer falsa sensação de vivência. Qualquer coisa, mesmo que seja momentânea. Simplesmente não se importam. Apenas querem deixar, por um segundo que seja, a dor. Estou quase no inferno... Nunca pensei que seria este o lugar onde eu estaria. Acho que o tempo parou para mim. Não sou má. Sou apenas uma pobre criança estúpida que só tentou entender mais do que lhe era permitido. Sei que sou culpada, culpada apenas por acreditar que vida somente não bastaria. Apenas por querer me sentir viva, mesmo num lugar tão frio. Eu não sou uma garota triste, tentei dizer isto a eles, tentei argumentar. Dizer que sou apenas lúcida, que estou apenas passando pela “vida”, apenas não querendo me juntar a ninguém. Apenas não querendo ser a responsável por mais uma existência de vazio que se quer pode ser chamada de vida. Há tanto lá fora. Ainda há tanto para se ver. Mas o tempo é demasiado cruel para que se possa suportar, é muito pra mim. Acho que não restou muito de meu coração, mas o pouco que me sobra ainda é capaz de amar, ainda há esperança enquanto me restar coração, enquanto for capaz de amar e de me sentir amada. Sei o que quero e sei o que penso: Tudo o que anseio, desejo e almejo é vida. Saber que ainda há alguma luz no fim do túnel. Um sopro qualquer de vida. Mas tudo o que me vêm neste vento é vida gasta, apenas lembranças, apenas recordações, apenas histórias que já se foram, apenas contos que escrevi há muito tempo, apenas este vento frio que às trás e às leva, mas que jamais me deixa. São estas apenas encruzilhadas das quais não consigo me desvencilhar, apenas novas e dolorosas decisões a tomar. Mais nada. † Mørtíciä †
- Postado por: por Göthica às 05:39 PM [ ]
FRENTE AOS PORTÕES Esta escuro agora. Esta ventando muito. E eu apenas fico e olho para estas árvores, sei que posso observá-las, mas não posso vê-las. Vejo as cruzes se encimarem, imponentes. Elas parecem me provocar. É estranho olhar e ver que estão todos aí, à minha frente, inertes. Séculos, apenas esperando, aguardando por uma recompensa. Todos, e ao mesmo tempo ninguém. Nada com o que se importar. Não sei o que há comigo e este lugar. Era tão normal, mas têm se tornado meu pior pesadelo. Assim como a utopia de um homem louco. Me sinto como se estivesse perdida e ninguém pudesse me mostrar o caminho. Me sinto confusa. Mas foi este um grande prazer. Agora tenho medo deste lugar, e justo eu que sempre o tive como minha morada... já ouço a música do vento nas árvores e o perfume suave de rosas brancas, agora já todas vermelhas, molhadas com meu sangue, as únicas coisas vivas neste lugar escuro e frio. Eu sempre vinha até aqui, sempre busquei refúgio nestes muros e conhecimento com estes sábios que aqui repousam, mas me sinto como se estivesse me tornando parte deles. Mas tenho que encontrar algo, algum elixir para não fenecer, ainda é cedo para que eu me junte a esta eterna sociedade de poetas mortos, ainda há muito o que aprender e muito o que ensinar. Eu não quero perder a cabeça. Apenas quero perder o medo deste lugar que eu tanto admiro, não sentir as árvores se fecharem, não sentir tudo denso e o ar irrespirável. Estou enlouquecendo. Apenas estou frente a este lugar. Sei que ele pode me levar de eu deixar. Mas ainda tenho que encontrar algo. Não sei mais se estou com tanto medo. Perdi minha inocência aqui, rodeada por estes anjos marmóreos para um jovem errante. Mas agora ninguém parece se importar. Nem mesmo estes poetas mortos. Eles dizem que foi belo, pura poesia... versos sussurrados. Como um rato num labirinto eu me sinto, andando por todos os lados com um sorriso esparso nos lábios. Eu nunca quis deixar este lugar. Minha alma pertence a ele. Eu não queria ter que dizer adeus. Mas ainda não tenho coragem para adentrar estes portões. Desde o princípio eu sempre estive frente a eles, frente a esta eterna sociedade. Sempre com medo de entrar e não conseguir mais sair. Mas agora é adeus... Até nunca mais... Até quando eu voltar definitivamente, para então permanecer por toda a eternidade. Até quando eu estiver disposta a confiar meus segredos e minhas composições a este solo. Mas saiba, foi um prazer.... Foi um grande prazer.... Adeus. † Mørtíciä † - Postado por: por Göthica às 04:44 PM [ ] Por quê todos sempre lêem a composição de um escritor e o julga como se fosse esta a sua autobiografia? " Um poeta jamais deve deixar de compor, porém jamais deve falar de si, a humanidade jamais interpretará sua composição como uma visão do mundo, mas sim como sua autobiografia. Um escritor jamais deverá colocar demasiado de si em suas obras, pois sempre, onde quer que seja, o interpretarão de maneira errônea se assim o fizer."
Peço apenas que leiam minhas composições como devem ser lidas, e interpretadas assim como devem ser...
† Mørtíciä † - Postado por: por Göthica às 08:53 PM [ ] Nada dura para sempre Tenho procurado por um rastro. Procurado por um coração. Procurado por um amor em um mundo que é tão obscuro, mas é como se ninguém quissesse meu amor, feneço em acreditar nisto. Tenho esperança de que alguém, em algum lugar, precise dele, mas parece que todos encontraram outras maneiras de diversão, parece que ninguém mais precisa de amor. Estive procurando por toda parte. Procurando por alguém com quem pudesse existir, com quem pudesse dividir minha existência. Tantas vezes com um beijo eu sonhei, com um carinho que eu nunca senti. Todo o amor que um dia eu sonhei ainda espero sentir. Acredito que eu sonho nunca tenha fim. Mas nunca foi tão forte assim. Quero encontrar alguém em meio a minha ruidosa solidão. Sei que nada dura para sempre. Quero sentir esta chama em meu coração. Estou vivendo este drama por um longo tempo tentando me livrar da dor. Eu gostaria de algo eterno, porém sei que amantes vêm e vão, e ninguém nunca sabe ao certo que esta deixando quem ir embora. Mas mesmo assim eu gostaria de sentir, mesmo sabendo que nada dura para sempre eu gostaria de ter alguém a quem pudesse dizer que é todo meu. Mas é difícil manter o coração aberto quando até os amigos parecem fazer mal. Mesmo querendo sentir e mesmo sabendo que nada dura para sempre ainda temo um coração partido. Quando meus temores diminuírem e as sombras permanecerem sei que estarei aberta, sei que poderei finalmente amar e ser amada. Quando não existir ninguém mais para culpar e eu não ligar mais para a escuridão sei que o grande amor surgirá. Pois nem mesmo esta solidão irá durar para sempre. Tenho esperanças. Não creio que seja a única.
† Mørtíciä † - Postado por: por Göthica às 01:09 AM [ ]
Pois é, passei na vestibular que prestei em Minas, passei em 16º posição, ano que vem... Minas Gerais (eu acho...)... - Postado por: por Göthica às 01:06 AM [ ] À Sete Palmos Por que me perseguem? Por que estão atas de mim? Por que não consigo divisar minhas passadas das delas? Estas malditas não param de me atormentar. Por onde quer que eu vá, para onde quer que eu fuja, jamais consigo me esconder delas. Não param de tomar minha mente. Não consigo me distanciar delas. Às vezes acho que estou enlouquecendo. Para onde quer que eu vá, para onde quer que eu olhe só consigo vê-las, sempre; parece que elas querem me destruir, é tão difícil pra mim, este fardo é tão pesado, às vezes acho que vou perecer, por vezes acredito que não vou conseguir vencê-las. Já faz tanto tempo que estou perdida; já faz tanto que anseio pela salvação. Esta tão escuro aqui, tão frio, nem mesmo posso ouvir os sons que reinam neste lugar, pois nenhum ser conseguiu sobreviver a estas provações, ainda não sei como consigo. Dói tanto aqui dentro; nem sei se ainda tenho coração, é tão pesado para carregar sozinha, tão duro. Em meu peito agora nada mais resta se não uma pesada e esmaecida pedra de vidro retorcida que só faz refletir minha inútil existência: Turva e sem formas definidas. Nunca pensei que aqui seria onde eu estaria. Olho ao meu redor e vejo todos felizes, todos alegres seguindo suas próprias vidas, dando rumo as suas respectivas existências e eu aqui, presa neste castelo de cartas marcadas, neste labirinto com suas funestas paredes de pedras, hermeticamente fechadas. Sempre que acredito que estou finalmente encontrando a saída algo acontece, novas parelhas de paredes se formam a minha frente, e nunca sei se me levarão a saída, ou se me afundarão ainda mais nas profundezas deste abismo sem fim. Eu gostaria tanto de ser normal como eles, gostaria tanto de me alegrar com suas hipocrisias insanas, mas o fio que nos separa os mundos é tão espesso que não consigo rompê-lo. Estou tão cansada de ficar sozinha, tão cansada de sempre cair. Tão enjoada do sabor salgado e acre de minas lágrimas. Tão exausta de olhar para o lado na esperança de ver um rosto amigo e não ver ninguém, ser nenhum para me amparar. Olho para elas à minha frente e só às vejo me provocar, estão tomando formas hediondas e querem me agarrar, me fazer sofre mais do que já sofro; como se isto fosse possível. Estou envelhecendo rápido demais, já perdi o viço, e aos poucos estou perdendo minha juventude, sem amor e nem carinho. Tudo o que eu queria agora era um pouco de descanso, mas nem isso eu posso fazer, existem demônios à minha volta que não me deixam em paz, eles fazem tanto barulho, são- Postado por: por Göthica às 05:17 PM [ ]
gemidos incessantes. Neste lugar nem mesmo as aves mais temerosas ousam sobrevoar, estou num pântano pegajoso e fétido, sinto que estou afundando em sua podridão e que vou, a qualquer instante, sufocar. Meu7 corpo todo dói, estou tão debilitada de tanto lutar, em vão. Ao longe, consigo diferir uma doce e triste melodia de um lúgubre violino solo. Talvez seja este um breve recompensa que preceda a morte em meu encalço. Talvez seja mesmo melhor, talvez seja mesmo este o meu tão aguardado final. Estou em leito, confortável enfim, talvez eu tenha sido recompensada depois de tanto tempo de dor, ao meu lado uma adaga, bela como jamais se viu, parece que ela esta me aguardando, ansiosa, parece que sempre esteve ali, apenas esperando por mim, é tão perfeita, formas tão distintas, lâminas tão brilhantes. Enfim luz em meio a esta ruidosa escuridão. Não dói mais, me sinto tão leve, tão solta; já não sinto mais o peso daquela pedra de vidro em meu peito, já não sinto mais o peso do mundo em minhas costas, posso finalmente caminhar suavemente, côo desejei tão ardentemente. Posso ver estas paredes se afastando, nada mais de fragilidades, o pântano não existe mais. Estou me vendo lá em baixo, somente um corpo ensangüentado, um corpo atormentado por tantas provações, caído, como sempre esteve, sozinho, como sempre se manteve; será que aguarda alguma coisa? Será que esta agora em paz? Sou agora apenas uma alma longe de seu corpo. Lá embaixo um ser, preste a se decompor. Fecho os olhos para agradecer pela enfim liberdade. Abro e olho ao meu redor, deitada em suaves almofadas repouso com a paz que jamais pude sentir antes, mas tenho que levantar, desfrutar de tanta concórdia. Estou presa! Bato na parede acima de mim, não consigo me por em pé, estou trancada em um lugar pequeno e estreito, me mantenho imóvel, quase não posso me mexer, o ar esta acabando, estou sufocando, acima de mim outra vez suporto um enorme e eterno peso, desta vez não de uma pedra de vidro nem do mundo, suporto pesados sete palmos de terra e além, uma lápide, e nela, marcado eternamente com o sangue que um dia foi meu, a inscrição: “ Rosa Negra em meio ao jardim esfacelado”. À esta que foi apenas uma Rosa sob a geada.” E acima, gravado perpetuamente, meu nome... † Mørtíciä † - Postado por: por Göthica às 05:14 PM [ ] Espelho Quebrado Esta é apenas mais uma composição, apenas mais uma que será atirada no cascalho, apenas mais do que mereço. Ajoelhada, eu sei o que sou, apenas um ser cheia de larvas, mas o que posso eu fazer, sei que é verdade tudo o que sinto, serei amaldiçoada se não for.Levanto os olhos para o céu e o vejo como o espelho de minha alma, turvo e escuro, apenas um espelho quebrado. Olhando atravéz deste espelho vejo meu coração partido. Estou perdida em meio a uma tormenta, fui abandonada tão longe da terra firme que não posso mais encontrar o caminho de volta. Fui tão maltratada. Ao menos ainda tenho meus sonhos, mas estou envelhecendo; Sonho com as coisas esquecidas que conheci, nunca é tarde demais, parece que o futuro se mostra a mim como uma lembrança, já muito empoeirada pelo tempo... parece tão distante. Estou cançada demais para novidades, já vi este filme, sei como terminará - jamais serei de ninguém e alguém jamais pertencerá a mim. Agora os dias vêm e vão, e não há nada de novo. Somente o velho ato de colecionar memórias quando volto pra casa tarde da noite me perguntando onde estive. Quero apenas permanecer deitada naquele escuro e gelado Vale da Sombra da Morte contando estrelas, mas estou em casa novamente como sempre estive, apenas planejando e almejando descanço, apenas procurando uma razão para não chorar enquanto tudo se despedaça atrás de mim e eu arranco meu coração e o atiro para longe para não mais sentir. Mas sempre termina do mesmo modo, eu posso até ir adiando, ir empurrando, mas sempre termina da mesma maneira. Eu só quero dormir, mas este pesadelo não termina nunca, é mais do que posso suportar, esta me ultrapassando, só quero que me digam quanto tempo, poquê parece uma eternidade? É como se todo o amor do mundo não pudesse me salvar, e somente vou pela vida, tentando encontrar meu caminho. Machuca demais olhar para o céu e ver este espelho quebrado e saber tudo io que deixei para trás. Sabe, eu nunca sonhei encotrar alguém, meu sonho sempre foi me encontrar, e agora estou num inferno indescritível, e nãi vai mudar, sei que se foi, continuo inútil. Não sei o que deveria fazer, para onde vou vejo este maldito espelho quebradoacima de mim. É isto o que foi planejado? É esta a verdade? Porque se for, eu não quero mais viver num mundo que não respeita nem o que é sagrado... Mas o que significa isto pra mim? Quanto mais sei no que creio daquilo que pensei ser a mim, mais percebo o que mudou aqui dentro. O que pensei era verdade. Tudo o que eu poderia saber esta aqui, refletido neste espelho, tudo o que pensei de mim é verdade, que sou uma suicida, que me suicido todos os dias , que mato um pedacinho de mim a cada crepúsculo. Se é verdade que melhoramos a cada dia, então esta enterrado aqui o melhor que fui. Quando olho para trás vejo apenas lembranças, distantes... e um corpo deitado... inerete.
† Mørtíciä † - Postado por: por Göthica às 05:13 PM [ ]
** Este é um e-mail que encontrei em minha caixa de entrada, recebi-a há algum tempo e ainda não a havia lido...
Saudade...
ou mesmo que acreditem que não me lembre mais deles, quero que saibam que me recordo de vocês em minhas orações ) amigos que me restam...”
† Mørtíciä † - Postado por: por Göthica às 09:00 PM [ ]
Passos, lentos por entre antigas ruas cinzentas
† Mørtíciä † - Postado por: por Göthica às 03:06 AM [ ] Em Nossa Canção Secreta...
Em nossa cançâo secreta † Mørtíciä †
- Postado por: por Göthica às 01:47 AM [ ]
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